As contas externas brasileiras acenderam um novo sinal de alerta. Em julho, o déficit nas transações correntes do Brasil com o resto do mundo atingiu a marca de US$ 8,11 bilhões, refletindo o aumento das remessas de lucros, dividendos e o pagamento de serviços ao exterior. Esse indicador é fundamental para mensurar a saúde financeira do país nas suas trocas com o resto do mundo. O déficit em transações correntes significa, na prática, que o Brasil consumiu mais divisas estrangeiras do que gerou. Quando esse saldo negativo se amplia de forma consistente, o país fica muito mais vulnerável a choq
A divulgação do IPCA-15 de agosto pelo IBGE trouxe uma manchete apetitosa para os discursos políticos: uma deflação de -0,40%. Contudo, para quem analisa a economia com rigor técnico, o resultado não é motivo de comemoração, mas um sinal de alerta. Uma leitura atenta dos subitens do indicador revela que a queda de preços não decorre de um equilíbrio saudável de mercado, mas da intervenção direta e artificial sobre os preços administrados. Os números divulgados pelo IBGE expõem essa dinâmica. O recuo expressivo do índice geral foi puxado de forma avassaladora pelos grupos fortemente impactados
O recente anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que o governo publicará um decreto zerando a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em todo o país, pode até soar como uma música agradável aos ouvidos do setor produtivo e dos consumidores. A justificativa oficial é a de que a medida trará transparência, pois o tributo passará a ser cobrado "por fora", e acabará com o acúmulo de créditos tributários pela indústria, aproximando o Brasil do modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Contudo, à medida que a corrida presidencial de 2026 se acirra, essa propo
Ouvimos frequentemente nos discursos do presidente Lula, do atual Ministro da Fazenda, Dario Durigan, e na análise da comentarista Miriam Leitão, que a inflação brasileira está domada e que existe apenas uma sensação de preço alto ou que o preço alto é porque a população está comprando mais ou até mesmo que a guerra do Irã é a culpada. No entanto, basta uma rápida visita ao supermercado ou o pagamento dos boletos do mês para perceber que a narrativa oficial esbarra em outra realidade: o poder de compra da população derreteu significativamente desde o início de 2023. Para entender essa desconex
Informações importantes trazendo a semana em indicadores e movimentações da economia e do mercado. Não deixe de escutar e mantenha-se informado.
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O mercado de câmbio voltou a ficar pressionado. Nos últimos dias, presenciamos uma nova escalada do dólar frente ao real, com a moeda americana fechando cotada a R$ 5,19 nesta quinta-feira. Essa pressão cambial é o resultado de uma combinação de fatores externos e das nossas já conhecidas fragilidades internas. O Departamento do Tesouro dos EUA confirmou que a dívida pública do país ultrapassou a assustadora marca de US$ 40 trilhões pela primeira vez na história. Esse endividamento trilionário, impulsionado por sucessivos déficits e altos gastos públicos, eleva a desconfiança dos investidores
O cenário econômico brasileiro emite mais um sinal vermelho intenso. O salto de 13,64% na inadimplência empresarial em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados do SPC Brasil, representa o aumento do sufocamento do setor produtivo nacional, que vem lutando contra um ambiente macroeconômico adverso e limitador. Os dados do SPC Brasil também apontam que em julho, 69,02% das negativações de empresas correspondiam a negócios reincidentes, ou seja, que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes nos 12 meses anteriores. Desse total, 44,12% ainda não haviam quitado dívid
O varejo brasileiro agoniza em uma espécie de UTI econômica, e o diagnóstico é claro: uma combinação de juros proibitivos, restrição severa de crédito e uma inflação persistente que corrói impiedosamente o poder de compra da população. O setor que, historicamente, pulsa como o coração do consumo nacional, hoje respira por aparelhos, acumulando meses sucessivos de retração e queda livre nas vendas. O caso emblemático mais recente e mais ruidoso dessa deterioração é o Grupo Casas Bahia. A gigante, que por décadas foi sinônimo de crediário e acesso a bens para a classe média emergente, protocolou
O termômetro mais aguardado para medir a temperatura da nossa atividade produtiva confirmou o que o mercado já sentia na pele: o Brasil está pisando forte no freio. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia oficial do Produto Interno Bruto (PIB), registrou uma dura contração de 0,6% em junho na comparação com maio. Esse recuo representa o sintoma claro de uma economia asfixiada sob o peso de um ambiente macroeconômico cada vez mais hostil. O motor do consumo, que historicamente traciona o crescimento nacional, está engasgando. As famílias brasileiras enfre
Pernambuco vem dando um passo decisivo para superar um dos seus maiores gargalos competitivos: a infraestrutura logística. Com o Programa PE na Estrada, o governo estadual vem realizando um investimento de R$ 5,2 bilhões na execução e recuperação de 2.100 km de rodovias estaduais, abrangendo de ponta a ponta o nosso território — com aportes significativos na Região Metropolitana, Agreste, Zona da Mata e Sertões. Mas o que esse volume de recursos significa, na prática, para a economia real? Para responder a essa pergunta, desenvolvi um estudo detalhado, utilizando um modelo inter-regional de in
O Congresso Nacional e o Governo, alinhados, deram mais uma demonstração alarmante de descompromisso econômico. A aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 114/2026, o PLP dos Combustíveis, transformou-se em mais um atestado de irresponsabilidade fiscal. O que nasceu como medida para amortecer o impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços da gasolina e do diesel, converteu-se em um Frankenstein legislativo, repleto de bilhões em renúncias. No jargão político, jabuti é a inclusão de temas estranhos ao propósito de um projeto. E a Câmara transformou o PLP 114 em um viveiro deles. O t
A atualização da tabela do Simples Nacional é um problema a ser resolvido. De um lado, existe uma urgência de corrigir uma defasagem de 8 anos do valor do teto de faturamento do Simples Nacional, que asfixia micro e pequenas empresas. Do outro, o temor da equipe econômica diante do pesado impacto que essa medida traria aos cofres públicos em um momento de déficit recorrente nas contas. A última atualização efetiva dos limites de faturamento do Simples entrou em vigor em 2018 (sendo aprovada ainda em 2016). Desde então, o teto para as Empresas de Pequeno Porte (EPPs) congelou em R$ 4,8 milhões
O cenário inflacionário brasileiro acaba de apresentar um respiro para a economia. O IPCA de julho trouxe um alento: o índice veio abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Com esse resultado favorável, a inflação acumulada no intervalo de 12 meses recuou, voltando a se posicionar abaixo do teto da meta, de 4,5%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Na prática, um IPCA comportado e dentro das bandas da meta é o ambiente ideal para alimentar as expectativas do mercado financeiro e do setor produtivo por uma nova rodada de cortes na taxa básica de juros, a Selic. Afin
A diplomacia comercial brasileira decidiu levar o embate contra o protecionismo norte-americano à Organização Mundial do Comércio (OMC). Em resposta à abertura do painel pelo Brasil contra o recente tarifaço, os EUA adotaram uma postura diplomaticamente calculada: afirmaram estar à disposição para dialogar e iniciar as consultas formais. Esse movimento inaugura um jogo de xadrez geopolítico, onde as peças no tabuleiro vão além das fronteiras bilaterais. As alegações brasileiras na OMC são de que as sobretaxas impostas por Washington violam as regras do comércio internacional. O tarifaço, funda
A economia brasileira renovou mais um recorde extremamente preocupante. De acordo com os dados mais recentes da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o endividamento das famílias alcançou a assustadora marca de 82,0% em julho. Este é o maior patamar registrado desde o início da série histórica em 2015. No levantamento, 29,8% estão inadimplentes e 19% têm mais da metade da renda comprometida com o pagamento de dívidas a vencer ou em atraso. Quando oito em cada dez lares do país possuem
Se você gastar mais do que ganha todos os meses, precisará pegar dinheiro emprestado no banco. O banco, percebendo que você não consegue equilibrar suas próprias contas, vai cobrar uma taxa de juros altíssima pelo risco de levar um calote. Na economia de um país, a lógica é exatamente a mesma. E é justamente isso que explica o atual cenário macroeconômico brasileiro. Para entender de forma didática: o Brasil está no vermelho. Segundo os dados mensais do Banco Central, o país vem gerando déficits consecutivos nas suas contas públicas há três anos e meio. Isso significa que, mês após mês, a arre
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) optou por reduzir a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual para 14% ao ano, sinalizando que o cenário externo ainda permanece incerto por conta da indefinição do conflito no Oriente Médio e da incerteza da política monetária em países avançados, principalmente nos EUA. No ambiente interno, ressaltou que os indicadores econômicos apresentaram uma moderação gradual da atividade econômica, com sinais mistos entre setores, embora com mercado de trabalho ainda aquecido. A inflação apresentou desaceleração recente, mas ainda acima do teto da meta,
Enquanto a macroeconomia busca se equilibrar, a base do setor produtivo enfrenta uma tempestade devastadora. A mais recente comprovação desse cenário vem do levantamento do Monitor RGF BizDoc, que revelou uma escalada alarmante no número de recuperações judiciais. Mesmo com a provável nova redução de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião desta semana do COPOM, o impacto será pequeno e o problema é estrutural. Os números expõem a gravidade. Entre 2023 e o primeiro semestre de 2026, a proporção de micro e pequenas empresas buscando a proteção da recuperação judicial mais que dobrou. O avanço
Nesta semana de decisão do Copom, o mercado financeiro revisou para baixo a projeção da inflação de 2026, que passou para 5,03%, embora ainda permaneça acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central. No episódio, analiso os principais destaques do Boletim Focus, as expectativas para a taxa Selic, o cenário para a economia brasileira e os fatores que podem influenciar os próximos passos da política monetária.
"É difícil imaginar uma maneira mais perigosa de tomar decisões do que deixá-las nas mãos de pessoas que não pagam o preço por estarem erradas." A célebre frase do reconhecido economista Thomas Sowell, serve como uma luva para descrever o atual cenário institucional e fiscal brasileiro. Historicamente, a maioria dos representantes dos Três Poderes da República tem tomado decisões que geram despesas contínuas e bilionárias, sem qualquer preocupação com a responsabilidade fiscal ou com as consequências de longo prazo. Eles criam os gastos, aprovam as benesses, mas é a sociedade quem invariavelme
As contas públicas brasileiras emitiram mais um sinal de alerta vermelho. A divulgação de que o Governo Central — que engloba Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central — registrou um déficit primário de R$ 48,2 bilhões no mês de junho expõe a fragilidade estrutural da nossa gestão fiscal. Não se trata de uma oscilação contábil passageira: o resultado marca o quarto pior desempenho para meses de junho de toda a série histórica, iniciada em 1997. Quando ampliamos a lupa para o balanço do primeiro semestre, o cenário comprova a deterioração progressiva. Em vez de consolidar uma trajetó
O tabuleiro de juros global presenciou mais um capítulo de cautela. Em sua reunião de política monetária, o Federal Reserve (Fed) optou pela manutenção da taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. O detalhe mais relevante, porém, estava nos bastidores da votação: a decisão não foi unânime, evidenciando um comitê dividido sobre os rumos da economia dos EUA. As divergências internas no Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) revelam que parte dos dirigentes ainda enxerga pressões inflacionárias persistentes na economia americana. Essa divisão acende um alerta para os mercados emerge
A divulgação do IPCA-15 pelo IBGE trouxe um respiro estratégico ao mercado. A prévia da inflação de julho desacelerou para 0,06%, contrariando as projeções que apontavam para uma alta na casa de 0,20%. Com esse resultado, o indicador acumula 3,51% no ano e atinge 4,52% no acumulado de 12 meses. Apesar da surpresa no curtíssimo prazo, o índice ainda flerta perigosamente com o limite superior da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (4,5%), o que mantém o Banco Central em estado de alerta. Para compreendermos o real impacto desse número nas próximas decisões do Comitê de Política Mo
O debate macroeconômico brasileiro ganhou um novo e preocupante capítulo: a constatação de que o impulso fiscal do governo atingiu a marca de 4,52% do Produto Interno Bruto (PIB), incluindo restos a pagar e medidas anunciadas. O dado, repercutido em estudo da Global Intelligence and Analytics, joga luz sobre a dinâmica das contas públicas no segundo trimestre e evidencia um padrão de política econômica que, historicamente, cobra um preço altíssimo do país: a expansão artificial de gastos sem contrapartida de receitas estruturais ou ganhos reais de produtividade em ano de eleição. Para compreen